Redação para concurso da PF desencadeou Tormenta

 

Alerta de vazamento foi dado por professora que recebeu 2 encomendas para redigir texto sobre o tema da prova da polícia

 

Estadao 18 de junho de 2010

 

Uma redação para concurso de agente da Polícia Federal levou a Operação Tormenta à descoberta do esquema de fraudes em provas públicas e exames de seleção na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

A PF abriu o inquérito a partir da denúncia de uma professora que foi procurada por dois candidatos, em dias diferentes, em 2009. Eles fizeram a mesma encomenda: que redigisse um texto sobre o tema do concurso da PF. O segundo candidato foi incisivo ? queria "uma redação mais apurada" e comentou que se destinava a um concurso.

Desconfiada, a professora comentou o fato com os responsáveis pelo estabelecimento de ensino onde trabalha. Logo, os movimentos dos candidatos à agente da lei chegaram à cúpula da corporação, em Brasília. A investigação seguiu para Santos, base da organização sob suspeita. Segundo a PF, o líder da organização era Antonio Di Lucca.

Pelo menos 8 da lista de 12 presos pela Tormenta da PF são candidatos supostamente beneficiados. Todos tiveram prisão temporária, por cinco dias, decretada pela 3.ª Vara Federal de Santos e estão recolhidos na custódia da Superintendência da PF em São Paulo, na Lapa, zona oeste. São 25 os alvos da Tormenta, aos quais são atribuídos crimes de estelionato, peculato e formação de quadrilha.

Na lista de detidos consta o nome de Antonio Luiz Baptista Filho, aprovado em 67.º lugar no concurso realizado em 2009 para o cargo de agente da PF. O nome Edgar Rikio Suenaga, outro preso, aparece na lista de aprovados no concurso para analista administrativo da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), realizado em 2009.

Já o nome de Maurício Toshikatsu Iyda figura em dois concursos públicos ? para perito da PF, em 2004, e para policial rodoviário federal, em 2002. Em ambos, consta como aprovado.

Nilton Moreno, embora acusado pela PF de ter se beneficiado pelo esquema, aparece como reprovado na fase de redação do concurso para agente da PF em 2009. Outro preso, Paulo Eduardo Tucci, tem seu nome ligado ao concurso para papiloscopista da Polícia Civil de São Paulo, ocorrido em 2006, e ao exame de 2009 da OAB.

Pedro de Lucca Filho é outro aprovado no concurso para agente da PF em 2009. A Polícia Rodoviária Federal confirmou que um de seus servidores, lotado em São Paulo, está preso. Além do inquérito da Tormenta, foi instaurado contra o policial um procedimento administrativo.